Por Solange Engelmann
Publicado em Página do MST (https://mst.org.br/2026/02/24/campanha-de-solidariedade-envia-primeiro-carregamento-de-medicamentos-a-cuba/)
A Campanha de Solidariedade à Cuba, coordenada pelo Movimento Sem Terra, logrou um avanço importante no último dia 11 de fevereiro, ao enviar o primeiro carregamento com 1.700 quilos de medicamentos, com diversos tipos de medicamentos prioritários para a ilha socialista. Os medicamentos foram adquiridos a partir da arrecadação de fundos da campanha que teve início, em outubro do ano passado, e se enquadram em uma lista de produtos do Ministério de Saúde de Cuba, com maior escassez para o atendimento da população.
A campanha é permanente, tendo em vista que o bloqueio dos Estados Unidos contra o país caribenho também é permanente e tem se tornado cada vez mais rígido nos últimos anos, principalmente com as últimas medidas do presidente Donald Trump, que atacou o setor energético. Com o lema Cuba vive e resiste! o objetivo central da campanha é arrecadar recursos para a compra de medicamentos que serão enviados para Cuba.
O sistema de saúde da ilha tem sido um dos mais impactados pelo bloqueio dos Estados Unidos que já dura mais de 60 anos, estrangulando a economia e, principalmente, os serviços públicos. Com o bloqueio o governo cubano está proibido, pelos EUA, de importar diversos produtos, entre eles medicamentos e diversas outras tecnologias médicas e de outras áreas, o que afeta diretamente a população com a falta de remédios básicos nas farmácias e hospitais, além do ataque ao direito humano de acesso à saúde pública, praticado pela revolução cubana.
Messilene Gorete, do setor internacionalista do MST, explica que a campanha é um gesto humanitário da classe trabalhadora do Brasil que busca prestar solidariedade à Cuba de forma mais concreta. “O setor da saúde é um dos mais afetados pelo bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. Tem um processo de asfixia de todo o sistema econômico e de algumas frentes estratégicas, entre elas a saúde, com a falta de medicamentos, instrumentos médicos, equipamentos para os hospitais para atender a população cubana. Por isso, vamos seguir fortalecendo a campanha para enviar medicamentos a Cuba. Ela é prioritária e um dos pilares da nossa prática de solidariedade ao povo cubano”.
Os medicamentos foram doados pela campanha diretamente ao Ministério da Saúde de Cuba. Segundo o representante da brigada do MST em Cuba, Marcelo Durão, a previsão é de que estes medicamentos sejam distribuídos para os hospitais da província de Santiago. A região foi diretamente afetada pela passagem do furacão Melissa, que atingiu Cuba na madrugada de 29 de outubro do ano passado e, conforme o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês), foi considerado um dos furacões mais fortes do Atlântico já registrados na história.
“A campanha tem enorme importância porque visa suprir a necessidade de medicamentos gerada pelo bloqueio que impede Cuba de obter as matérias primas para a produção destes medicamentos”, complementa Durão.
Ataque ao direito à saúde pública
Como a revolução cubana trata as políticas de estado como prioridade, buscando garantir o acesso público e gratuito de toda a população à saúde, educação entre outros serviços, o impedimento por parte do bloqueio do EUA ao proibir a importação de medicamentos e equipamento médicos é um ataque esse direito humano da população, ao mesmo tempo, em que busca desmontar o exemplo exitoso da saúde pública preventiva em Cuba, reconhecida no mundo pelos elevados índices de saúde pública, que já salvaram milhares de cubano e populações de outros país, a partir do trabalho dos médicos cubano em missões internacionais.
No Brasil, temos o exemplo do envolvimento dos médicos cubanos no programa Mais Médicos, que registra alta avaliação popular ao disponibilizar profissionais de saúde básica para mais de 4 mil municípios brasileiros e ao ter beneficiado, desde a criação, em 2013, mais de 66,6 milhões de pessoas. Os dados são do Ministério da Saúde (MS).
Os cubanos representaram, até 2018, a maioria dos médicos do programa. Atualmente, eles são 10% dos mais de 26 mil profissionais que atuam no Mais Médicos em todo o país. No total, atualmente Cuba conta com 24 mil médicos em 56 países. Nas áreas rurais e em assentamentos da Reforma Agrária por todo o país, os médicos cubanos têm sido fundamentais para garantir o direito dos camponeses/as e trabalhadores/as rurais à saúde pública básica.
Como funciona a campanha?
Com o intuito de salvar vidas e prestar solidariedade a um povo, que resiste há mais de seis décadas ao bloqueio estadunidense contra Cuba, a campanha conta com o apoio de vários movimentos populares do país, além de intelectuais, apoiadores, personalidades como Frei Betto, Fernando de Moraes, Celinha Cota e parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) e Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
A arrecadação de fundos para a campanha funciona a partir da solicitação de apoio de, no mínimo, R$ 200,00. Esse recurso vai para uma conta de um parceiro do MST, o Instituto Cultivar e, em seguida, o Instituto realiza a compra e o envio dos medicamentos via aérea a Cuba. A doação pode ser feita por PIX.
Messilene explica que a campanha não se encerra no envio dos medicamentos, a partir da arrecadação de fundos. “Nós também motivamos as pessoas que querem doar medicamento, mas a gente orienta sobretudo o fundo, porque a gente compra o medicamento sem correr o risco de serem medicamentos próximos do vencimento. Compramos eles poucos dias antes do embarque. Essa é a forma que a gente tem trabalhado concretamente com a campanha”, ressalta.
Estrangulamento energético contra Cuba
No último dia 29 de janeiro, Donald Trump, presidente dos EUA, voltou a impor sanções contra Cuba, agora na área energética declarando “emergência nacional” e acusando o país de representar uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos. Na prática, os EUA pretendem impor novas tarifas a países que tenham interesse em vender petróleo à ilha, buscando asfixiar também o fornecimento energético.
Os movimentos populares, centrais sindicais e partidos políticos cobraram a solidariedade do governo brasileiro e da comunidade internacional a Cuba a estes novos ataques estadunidenses. O texto também cobra do Governo Lula a formação de uma “ampla rede de apoio” à ilha.
Além do envio dos medicamentos, o Movimento está se somando a outras organizações brasileiras em outra campanha mais ampla para pressionar o governo brasileiro a realizar o envio de petróleo a Cuba, por ser uma urgência para a sobrevivência da população cubana e funcionamento de serviços básicos.
“Isso significa uma pane no sistema elétrico de Cuba, porque necessita de petróleo para gerar energia e ao mesmo tempo, em todo o sistema de transporte que tem uma escassez de combustíveis. Nesse sentido, nós do MST nos somamos às organizações brasileiras para pressionar o governo brasileiro a mandar petróleo para Cuba”, resume Messilene.
O MST também vem pressionando o governo brasileiro a enviar por meio da Companhia de Abastecimento (Conab) comida e insumos agrícolas para a ilha, para aliviar a falta de comida e produtos agrícolas, que o povo cubano vem enfrentando nos últimos tempos.
“Comida significa dizer leite, arroz, feijão e tudo de que se precisa hoje em Cuba de urgência para atender à necessidade do povo cubano, privado de acessar por forma de importação, mas também privado de produzir porque não pode importar insumos agrícolas e combustível para desenvolvimento da indústria e de outras forças produtivas necessárias hoje em Cuba. É urgente esse apoio do governo brasileiro”, finaliza Messilene.
Informações para doação (PIX):
CNPJ: 11.586.301/0001-65
Instituto Cultivar
Banco: Caixa Econômica Federal
Agência: 1231 | Operação: 1292
Conta Corrente: 000577559399-1
*Editado por Fernanda Alcântara